É difícil libertar-se daquilo que você chamou de casa, mas se realmente está livre é porque ela realmente nunca lhe foi, ou se foi não é mais. É difícil mais ainda conviver em dois mundos tão distintos e tão próprios de si, aquele mundo particular que habita em você, insano, selvagem, que grita por liberdade e aquele mundo que existe por fora que oprime todos os instintos, que te enjaula dentro de si e lhe obriga a viver entre a repressão profunda e o tino de liberdade incessante.
Como casar liberdade e repressão? Como casar gosto com desgosto? Os opostos se atraem pela paixão mas inevitavelmente se repelem pelo desgaste de polos distintos, acaba a pilha, acaba a bateria, acaba a atração, acaba a repressão e liberdade, só me resta ser um átomo neutro nessa brincadeira. Mas quem nasce pra ser nitroglicerina não aceita tudo que lhe é imposto.
O medo mascara a liberdade com libertinagem, a coragem é libertadora mas ainda assim o medo nos faz desistir do ímpeto de pular no primeiro abismo, de fechar os olhos e seguir não se sabe por onde ou porque, mas seguir o instituto segundo a lei natural que há em cada um. Medo e fé definitivamente não se casam ou se atraem.
Quantas vezes desisti por medo de fracassar? Algumas. Quantas vezes desistir por medo da liberdade? Muitas! A independência é terrivelmente assustadora, ela tira o bem mais precioso de quem nunca arriscou, ela é cortante, corta todos os vícios e laços e é como se cada um desses doesse uma vida quando cortados, mas ela nos permite a assumir nossas escolhas, nos permite ser quem realmente somos, nos permite viver de acordo com a nossa identidade.
Então, quando desistir? Desistir é tão humano quanto começar e tem relação intima com coragem, muitas vezes pode ser a força necessária pra continuar, é um ato libertador, desistir não parar, e sim para prosseguir com a sua verdade, desistir quando o sonho vivido não é o seu. Respondendo à questão: quando o medo passa a roubar, sabotar os seus sonhos.
Quando prosseguir? Por mais que o mundo e o destino digam não, e que apontem sinais de insanidade para continuar, prossiga se houver uma força motora, uma fé e um sonho por trás de todo o obstáculo que lhe permitiu chegar tão longe a ponto de repensar uma escolha, ou tão insignificantemente perto a ponto de o motivar a descobrir o que há além da conquista. Quando a certeza e a fé são maiores do que o medo, prosseguir é mais do que uma honra, é libertador.
Existem momentos em que queremos voltar ao passado e fazer as coisas serem diferentes, entretanto é possível pegar a sombra do muro alto que ficou na outra esquina? E se você voltar lá, ainda vai ver uma sombra? Mas esta será aquela mesma sombra de alguns segundos atrás que você queria ou uma nova projeção? Queria, eu queria... então você já não a quer mais! É inconsciente, e assustador pensar assim mas é tão verdade quanto a falsa sensação de que queremos voltar situações da vida, que queremos visitar um passado que é tão inalcançável quanto a sombra do muro alto que acabamos de passar. O que realmente queremos e invejamos é o poder de decisão que ficou no passado, ou recheá-los de ingrediente para este florescer no futuro que hoje é o seu presente, em verdade não há fórmula e nunca haverá.
Existe sim, uma verdade inerente a mim que independe das escolhas do passado, das minhas futuras chances de escolha que nunca vai mudar o que eu sou. A vida e as escolhas podem alterar um caminho mas sempre caminharam para o presente inalienável que constitui em mim todo o exercício de ser única nesse grande mundo exterior que neste exato momento permite-se conviver com o conflitante mundo que há dentro de mim, desse encontro floresce a minha existência.
Assim como cada lágrima é uma cachoeira aos que choram, cada buraco um abismo aos que caem e cada sorriso o infinito aos que amam, se dê a devida importância. Não se deixe levar de olhos vendados ao futuro, tome a direção do seu presente, não se prenda como uma geração falida, invista em si, conheça-se e liberte-se, liberte-se e escolha, escolha e aprenda, aprenda muito mais a ser feliz!
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